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Memórias de Uma Mulher Perdida
Projeto gráfico para a peça de teatro, baseada no texto de Dario Fo - prêmio Nobel de Literatura - e Franca Rame.
A peça apresenta uma mulher que dialoga com um interlocutor invisível e/ou imaginário, representando uma “doutora”, em alusão a um período anterior em que foi confinada à um manicômio, como se estivesse agora participando de um exame na instituição.
A personagem está em conflito com a realidade, com a qual não mais se coaduna e que igualmente não mais a comporta.
Na medida em que a peça avança, a mulher se cobre ou descobre de peças de vestuário, em camadas formadas de peças soltas, fragmentadas.
A montagem adota um tom lírico, poético sem abrir mão da crítica, que é uma característica dos autores em questão. O que se propõe é uma reflexão sobre a loucura (solidão e desconexão) que deriva
da ausência de cidadania.
Nesta montagem, diferentes camadas emergiram. Os “sem lugar” carregam a vida em si. São alegorias ambulantes, que trazem no corpo tudo o que possuem: farrapos, apetrechos, memórias e sonhos.
A peça desenvolvida aborda, de forma subjetiva, os conceitos destacados para gerar no observador as sensações propostas pelo texto e pela montagem.
A estratégia adotada é gerar uma peça que, sem revelar detalhes da narrativa, cause lapso no observador e desperte interesse no tema proposto.
As palavras que nortearam o layout são:
_Solidão (uma pessoa no centro do texto, isolada e desconectada)
_Degradação (restos, fragmentos, camadas)
_Loucura (uma visão de mundo lírica e particular)
_Mistura (as várias recordações em profusão)
_Conflito (oposição entre realidade e sonho, material e imaterial)
Para materializar as relações da personagem com o mundo que a cerca, o elemento gráfico selecionado foi o Olhar.
Além de trazer o forte significado de representar a forma como a personagem vê/interpreta/se relaciona com o entorno, ainda traz para o diagrama a pupila, que em sua forma circular (o círculo é a mais atrativa em comunicação visual), foi de grande valia para captar a atenção do observador.
A marca, seguindo os conceitos do projeto, apresenta uma estrutura racional e perfeitamente legível, com camadas e adereços que a tornam mais espontânea, como uma forma que vai aos poucos se transformando e recebendo elementos (alguns degradados) do ambiente.
O logotipo (texto) apresenta uma textura de ferrugem, que representa a relação de decadência em que a personagem se encontra.
O símbolo (imagem) é uma folha seca, representando a motivação da personagem, que também perde vida na medida em que o tempo avança e ainda representa sua sanidade, em processo constante de degradação.

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